sexta-feira, dezembro 26, 2008
Teoria dos P's - igualmente o fim do espírito natalicio
Muitos são bastante simpáticos e, vendo as pessoas a rebolar por aquelas escadas abaixo, fazem o seguinte:
- PIIIIIIIIIII (o principal, longo, avisando que as portas vão fechar)
- PI PI PI (os 3 cruciais que informam que as portas vao mesmo mesmo fechar e que tem as tentar passar pode ficar da mesma maneira que vêm naqueles sinais do não-entre-nem-saia-durante-o-aviso-de-fecho-de-portas)
- PUM (quando elas fecham).
Pois eu quando nunca me consigo controlar e mesmo como hoje que não estava nem um bocadinho atrasada, desato a correr pelas escadas abaixo pois está um metro parado com as portas abertas.
Faltando-me 3 degrauzinhos só oiço:
- PI PUM
Percebem o que se passou aqui?
Olho para a porta e está um senhor entalado que lá consegui à força de braços deixar entrar o resto do corpo e ainda aguentou para eu entrar também.
Ora, custava alguma coisa, vendo duas pessoas lindas de morrer e muito atrapalhadas, começar pela ordem normal dos P's?
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Marketing 2
Um elefante que vai passeando pela rua e vai levando as pessoas na sua tromba ao som de Ben E. King num anuncio cheio de vontade-de-olhar-para-o-lado-gráficos-computorizados?
Por favor.
Obrigada Popota e Leopoldina.
(Querido Auchan - continuas a ser dos melhores sitíos para comprar dvd's, sim?)
No metro
A mãe senta-se no banco, encontas-se confortávelmente e cruza as pernas. Continua a segurar no filho pela mão que fica em pé no corredor.
Diz o pequeno "Também me quero sentar"
Responde a mãe "Não 'que vamos já sair"
A criança não responde. Simplesmente olha para a progenitora com ar de quem nao entende o que se passa ali.
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Notícias
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segunda-feira, agosto 06, 2007
Notícias
http://www.foxnews.com/story/0,2933,270554,00.html
Vamos lá outra vez:
(É favor inspirar antes de começar a ler)
Joshua
Jana
John-David
Jill
Jessa
Jinger
Joseph
Josiah
Joy-Anna
Jedidiah
Jeremiah
Jason
James
Justin
Jackson
Johannah
Jennifer
e esta hein *
terça-feira, julho 24, 2007
O futebol e o fabuloso mundo de Beckham
E eis que chegou o momento porque muitos ansiavam: David Beckham chegou a LA. Entre outras coisas, o anúncio, feito em Janeiro (a menos de seis meses do final do contrato, tal como mandam as regras), da sua transferência para os Galaxy da Major League Soccer levou a que o internacional inglês estivesse vários meses sem jogar, com Fabio Capello a afirmar que, com ele ao comando da equipa, o número 23 não voltaria a entrar em campo.
As vicissitudes da época do Real Madrid e, sobretudo, a atitude de Beckham acabaram por obrigar o italiano a voltar com a palavra atrás, o que, por si só, constituiu uma grande surpresa. De qualquer forma, os blancos de Madrid acabaram por se sagrar campeões na última jornada do campeonato espanhol, tendo o contributo de David sido absolutamente crucial para a conquista desse troféu...
Depois disso, as férias. Enquanto a Europa do futebol com mais de 21 anos estava de férias, do outro lado do Atlântico a nova equipa de Beckham raramente ganhava, jornada após jornada. A espera pelo inglês revelou-se um factor de instabilidade no plantel de Frank Yallop, levando vários jogadores a pedir à nova estrela da equipa para encurtar as férias e vir mais cedo, para ajudar dentro de campo. Ao que parece, estando lesionado, o antigo red devil não pôde aceder ao pedido.
De qualquer maneira, há cerca de duas semanas, o casal Beckham lá chegou a Los Angeles, numa saída do aeroporto bem ao estilo de Hollywood. A histeria tem sido uma constante lá pelos lados do Home Depot Center, com cerca de 250 mil camisolas “23” vendidas ainda antes de o jogador pisar solo californiano. O ambiente eufórico estendeu-se ao jogo de estreia, no Domingo passado, frente ao Chelsea, com a presença de várias estrelas do cinema… entre as quais o Governador Schwarzenegger. David jogou apenas 10 minutos, ainda a contas com a lesão que já vem das últimas jornadas da liga espanhola, mas foi o suficiente para, cada vez que tocasse na bola, se sentisse uma energia impar, nunca antes verificada nos EUA, no decorrer de um jogo de futebol.
Talvez não tenha sido intencional mas David Robert Joseph Beckham é maior que o próprio desporto. Sendo o futebol a maior modalidade em termos de reconhecimento e número de adeptos a nível mundial, há algumas zonas em que continua a ter pouca importância. David Beckham é amplamente conhecido em todo o lado. Mesmo nos Estados Unidos, onde o desporto está em sexto ou sétimo lugar no top de preferências, David Beckham é um nome reconhecido e associado a uma cara por cerca de 50% da população, segundo uma sondagem efectuada recentemente.
A verdade é que, sendo um bom jogador, o número 7 inglês, está longe de ser dos melhores futebolistas da actualidade. Mesmo na MLS, jogadores como Landon Donovan ou Freddy Adu têm uma qualidade superior em termos médios. Costumo definir Beckham como o jogador perfeito parado: passes longos, cruzamentos e remates de longe com espaço e, claro, livres, são a sua especialidade, onde brilha como ninguém. O resto… é complicado. Embora tenha evoluído, David Beckham, apresenta, por exemplo, várias falhas ao nível das movimentações em velocidade e drible, características essenciais para um jogador da sua posição.
Assim sendo… o que levou Beckham a construir esta carreira singular no mundo do desporto? Certamente, nem ele sabe. O seu estilo de vida acabou por ser um alvo apetecível dos tablóides britânicos, o fascínio por David foi crescendo, com o próprio a conseguir orientar e construir a sua imagem de uma maneira que lhe permite, aos 32 anos, assinar um contrato de cinco anos que lhe poderá vir a valer qualquer coisa como 250 milhões de dólares e, depois disso, se assim o desejar, tentar manter o seu o seu reconhecimento à escala global para continuar a facturar.
Por tudo isto, mesmo que os seus planos iniciais não tenham sido estes, há que dar o devido mérito a David Beckham, um homem que, dentro e (principalmente) fora do campo, tem dado muito ao futebol, preparando-se para continuar a fazê-lo, pois acredito que conseguirá catapultar o soccer para a linha da frente dos desportos norte-americanos, um passo importante para reforçar o estatuto de desporto-rei à escala mundial.
segunda-feira, julho 23, 2007
Coisas da publicidade...
Condições da campanha :
- Adesões exclusivas para clientes particulares tmn;
- Válida para chamadas para tmn’s e Uzo, com limite de 5h de conversação por adesão diária, a partir da 5ª hora, as chamadas para tmn’s e Uzo são taxadas de acordo com o tarifário do cliente;
- Válida por 24 horas após adesão. No final deste período, para voltar a usufruir da campanha deverá ser realizada nova adesão;
- Cada cliente pode aderir até 15 vezes a esta Campanha;
- As chamadas efectuadas para outras redes são taxadas de acordo com o tarifário do cliente;
- As chamadas realizadas ao abrigo da campanha € 1/dia não são contabilizadas para atribuição de bónus pako.
domingo, julho 22, 2007
Seis meses de Portugal no centro do Mundo
Até ao final do ano, quando a entregarmos à Eslovénia, Portugal detém a presidência do Conselho da União Europeia (e não do Conselho Europeu, como erradamente se costuma dizer: são dois “órgãos” diferentes). Para já, o início tem sido bastante prometedor. O acordo conseguido na Cimeira de chefes de Estado e de Governo de Junho passado serviu como impulso e facilitou consideravelmente a tarefa dos portugueses, relativamente à questão do novo tratado. Isto, por si só, não significa menos trabalho, mas sim uma maior liberdade para que a Europa se debruce sobre outras prioridades.De qualquer forma, o mais importante desafio colocado à nossa presidência é mesmo a necessária aprovação do novo tratado, o qual deve estar escrito e assinado até ao final do ano, de modo a que haja tempo suficiente para que o processo de ratificação esteja completo antes das próximas eleições para o Parlamento Europeu em 2009.
Confio plenamente na equipa liderada pelo nosso primeiro-ministro para levar a cabo esta tarefa, em relação à qual, o maior entrave talvez venha a ser a posição dos polacos, que teimam em reclamar as condições que eles próprios acabaram por aceitar na exaustiva Cimeira, onde chegaram mesmo a relembrar factos da 2ª Guerra Mundial como argumento desesperado contra o consenso que se impunha. Ao que parece, Nicolas Sarcozy teve um papel bastante importante no resultado final, situação que me veio surpreender pela positiva, reduzindo quase para níveis neutros, a desconfiança (infundada ou não) que tinha para com o novo presidente francês.
Assim, depois de muitas horas de negociações eis que surgiu um mandato, que servirá de orientação para a efectiva redacção do novo tratado (constitucional) europeu, a começar já amanhã na Conferência Intergovernamental. A verdade é que relativamente à chumbada Constituição Europeia, muito pouca coisa mudou. Basicamente: a bandeira e o hino continuam a não estar oficializados no papel e o ministro dos negócios estrangeiros da União passa a ter outro nome. E sim, se o novo tratado for ratificado nos 27 países, confirma-se que perdemos três anos por causa disto.
Sendo que o problema da progressiva construção da Europa é bastante complexo, não se pode parar à espera que o processo de informação e educação europeia dos cidadãos se conclua na totalidade. É absolutamente insustentável. A UE não conseguirá evoluir se se continuar a recorrer a referendos em que as pessoas votem tendo em conta a situação político-partidária do seu respectivo país. Daí ter ficado bastante triste ao ver que, logo a partir do dia seguinte ao acordo, tal como vários partidos, o PSD, sem conseguir, por manifesta incompetência do seu líder, arranjar outro assunto para fazer oposição interna (depois da vitória que foi o novo período de reflexão relativamente ao aeroporto, a única, em mais de um ano sem verdadeira oposição ao governo), exigia o referendo.
Ora, não tendo eu quaisquer problemas com o referendo em Portugal, é óbvio que estas pequenas alterações ao tratado constitucional original, têm o objectivo de que seja possível, no maior número de países (idealmente, em todos, exceptuando os que estão a isso obrigados, pelas respectivas constituições nacionais), a ratificação por via parlamentar, em detrimento da arriscada via referendária, não me parecendo de bom-tom, que a oposição de um país com responsabilidades efectivas neste processo, pressione o Presidente do Conselho em exercício a exprimir a sua opinião durante um período tão sensível como o que estamos a atravessar.
Uma palavra para o trabalho do Presidente da Comissão, ao contrário do que muita gente afirma, tem sido fundamental, sendo ele um dos principais responsáveis por estarmos, de novo, no bom caminho. Durão Barroso terá também um papel especialmente importante nesta presidência portuguesa, apoiando um José Sócrates que parece renascido e para quem este período como “chefe da Europa” veio numa altura perfeita (alguém já se lembra da ridícula polémica que o envolveu no problema da Independente?).
Com menos de um mês de trabalhos, demos já um importante passo nas relações externas, ao acolhermos a primeira cimeira Europa-Brasil e, noutro plano, tivemos o encontro informal dos 27 ministros da competitividade, aos quais se seguiram várias outras cimeiras (umas históricas, outras já habituais, mas todas de grande importância), conselhos de ministros e muitos outros eventos de âmbito diverso, completando um conjunto que me deixa bastante confiante de que conseguiremos inscrever na História estes meses de “Europa dos portugueses”.
sábado, junho 09, 2007
Notícias
http://uk.news.yahoo.com/rtrs/20070603/ten-uk-obesity-d3877cb.html
Ainda bem que o estudo não foi com o conan porque as batatas não duravam até ao primeiro intervalo!*
quarta-feira, junho 06, 2007
Tinky Winky
Estava eu sentada no meu sofá este fim-de-semana quando li num jornal da moda qualquer que existia um grande rebuliço a volta dos bonecos animados “Teletubbies”.
“Pronto, esta gente só se preocupa com aquilo que não deve” – pensei eu.
Continuei a ler a notícia, e, escandalosamente, li “Tinky Winky dos Teletubbies pode ser gay” ou qualquer coisa do género, já não sei, não me atrevi a ler novamente o título para não me escandalizar uma segunda vez.
Inacreditável. Os psicólogos estavam preocupadíssimos com esta influência. E com razão! Mas onde é que já se viu um boneco roxo que pega numa mala de senhora! Totalmente descabido! Isto pode influenciar seriamente todas as crianças quê vêem o programa! Mas quem é que deixou passar isto na TV? Gay! Credo! Já se pega por tocar, então pela TV é mortífero! Agora todas as criancinhas vão “virar para o outro lado”! O mundo está perto do fim! Oh por favor, ajudem-nos! Bla bla bla!
Lembro-me que já tinha lido esta notícia a uns anos atrás, ainda andava eu no secundário. E hoje ela ainda perdura… oh Paciência!
P.S – Oops! Acabei de ver a photo do Tinky Winky no site de notícias da bbc! Serei lésbica? Vou escrever à revista “Maria". *
sábado, abril 14, 2007
Sabiam que...
Obrigada Sousa Tavares *
quinta-feira, abril 05, 2007
Vergonhosos portugueses
Analisando a questão, não vejo que haja nenhum problema gravíssimo ou, sequer, muitas ilações a tirar acerca da sociedade portuguesa. Há, primeiro que tudo, um fracasso para a RTP em termos de audiências, apesar do forte empenho verificado em termos promocionais. Depois, há um desfecho embaraçoso, que colocou a televisão pública a anunciar o principal responsável pelo atraso português relativamente ao resto da Europa, António de Oliveira Salazar, como o melhor português de sempre.
Como é óbvio, mas não parece, a julgar por várias opiniões amplamente difundidas, a votação para o resultado do programa não tem nenhuma base científica (foram feitas várias sondagens, essas sim, verdadeiramente representativas da situação nacional e em nenhuma o ex-ditador esteve perto da vitória), dizendo-nos, apenas, que existem alguns milhares de portugueses que têm Salazar em boa conta. Nada de novo, portanto.
Pode ser incompreensível, mas acho que todos nós conhecemos pelo menos uma pessoa que costuma mandar para o ar afirmações inteligentes e bem fundamentadas como “isto no tempo do Salazar não era nada assim…”, “Estivesse cá o Salazar…”, “Isto o que faz falta é um Salazar (em cada esquina).”. O importante é que este sentimento não cresça para além de meras frases feitas ou telefonemas persistentes…
Numa atitude quiçá relacionada e não menos inteligente (desta vez sem ironia), o Partido Nacional Renovador colocou em pleno Marquês de Pombal, Lisboa, um cartaz, em que afirma ser necessário devolver “Portugal aos portugueses, o nacionalismo é a solução, basta de imigração, façam boa viagem!”.
O meu espanto: A Procuradoria-Geral da República considerou que o cartaz não tem cariz xenófobo. Nas palavras de Lopes Rego, procurador, diz que a PGR “acompanha as acções e declarações dos responsáveis pelo cartaz, no sentido de apurar se o mesmo poderá vir a constituir um veículo para a criação de condições que levem à prática de actos contra imigrantes”.
A minha reacção a estas declarações: Trata-se apenas de mais uma instância da classe de solução de problemas mais utilizada em Portugal. Deixar andar. “Dia dois de Maio aquilo sai dali… é melhor não criar ondas… isto entretanto passa e ninguém se tem que chatear”.
Entretanto o cartaz foi vandalizado, mas a maior resposta chegou hoje, pelas mãos do Gato Fedorento, numa das melhores e mais significativas provas da sua grande qualidade enquanto humoristas:
Peço desculpa ao Markl por lhe ter roubado a foto...
O “Diz que é uma espécie de magazine” não vai para o ar este Domingo. É pena. No próximo lá estarei, em frente à televisão. Sugiro que também o façam, mesmo que não gostem, pode ser que até se tornem grandes fãs, enquanto prestam tributo às pessoas que esta semana fez mais pelo país do que os funcionários do Ministério Público que se ocuparam deste caso.
Para o Partido Nacional Renovador não tenho muito a dizer. Talvez o título fale por si…
O presidente, José Pinto Coelho, deu entrevistas em que apazigua o assunto, tentando adensar a máscara de legalidade que envolve tanto o seu partido como esta iniciativa. Vendo as coisas pelo ponto de vista do PNR, a colocação deste cartaz é extremamente eficiente e eficaz, ao projectar o partido, alargando horizontes para eleições (e recrutamentos) vindouras sem grandes custos a assinalar. Eu, claro está, respeito o senhor Pinto Coelho e todos os seus colegas, só não posso é fazer o mesmo relativamente às suas convicções.
É verdade que as organizações de extrema-direita têm vindo a crescer significativamente, nos últimos tempos, em toda a Europa (quem não se lembra do brilharete de Jean-Marie Le Pen, nas presidenciais francesas de 2002?), situação que tem, mesmo em Portugal, de ser levada muito a sério e contida rapidamente. Acho que não é preciso relembrar a ninguém as manchas que o extremismo político e religioso colocou e continua a colocar na história da humanidade…
domingo, março 25, 2007
50 anos de Europa
Roma, 25 de Março de 1957. Data histórica para a humanidade moderna. Nasceu a União Europeia (CEE, na altura). Cinquenta anos depois, o bloco europeu cresceu e tornou-se numa potencial mundial, a par dos Estados Unidos da América e em concorrência com os emergentes gigantes russos e chineses.
Portugal prepara-se para assumir a presidência, e esta é uma altura (como todas?) especialmente boa para refrescar opiniões, aproximando a União da população, informando sobre aquilo que esta realmente é, e pode vir a ser, com o apoio e empenho generalizados.
A UE é muito mais do que uma aliança politica: A União Europeia somos todos nós, portugueses, alemães, austríacos, belgas, búlgaros, cipriotas, dinamarqueses, eslovacos, eslovenos, espanhóis, estónios, finlandeses, franceses, gregos, húngaros, irlandeses, italianos, letões, lituanos, luxemburgueses, malteses, holandeses, polacos, britânicos, checos, romenos e suecos. Dito isto, estamos todos de parabéns, membros da família europeia!
domingo, março 11, 2007
A Mulher e o(s) seu(s) Dia(s), B.
Embora só em 1975 as Nações Unidas tenham decidido adoptar a data de 8 de Março, o dia Internacional da Mulher já conta com uma história de quase cem anos, tendo evoluído desde simbólicas 24 horas de protesto até um ao actual marco anual de homenagem aos progressos alcançados, enquadrado com a definição de um ponto de situação, relativos à (aparentemente inalcançável) igualdade entre sexos.
Em pleno século XXI, suposto tempo de modernidade, não só tecnológica, mas também, social, e mesmo com grande (a maior?) parte dos países a reconhecer teórica e constitucionalmente a uniformidade de direitos e deveres para homens e mulheres, a verdade é que, na prática, esta, de todo, não se verifica.
Tenho a noção de que quando, por cá, vem à baila a discriminação do sexo feminino, esta está, quase invariavelmente, associada a incidentes localizados em zonas do globo distantes, subindo à memória colectiva a imagem das afegãs envergando a sua burqa. Sendo este um exemplo gravíssimo, encerra em si uma das mais assustadoras e repugnantes características do ser humano, tornando-nos fácil de compreender o constrangimento que a discriminação levada ao extremo pode provocar nas vítimas… Digo “pode” pois, para muitas cidadãs afegãs, indianas ou paquistanesas, o uso da burqa é apenas mais um aspecto integrante da sua cultura que aceitam e abraçam sem contestação.
É precisamente aí que reside a questão chave desta problemática. A herança cultural que constitui um entrave à mudança da consciência colectiva, resignando vítimas deste e de muitos outros tipos de violência. Portugal (e o “mundo desenvolvido”) coloca-se como apenas mais um caso que confirma esta regra, não totalmente diferente, transportando para a nossa sociedade, do exemplo dos países subdesenvolvidos que referi acima.
Como de costume, preferimos olhar para fora e confiar na distância geográfica dos problemas, ignorando a nossa inquietante realidade: em Portugal, a nível social e profissional, a discriminação do sexo feminino existe e é muito mais grave do que pode parecer à maioria.
Enraizada na nossa cultura continua a iDeia de que a mulher, “por omissão”, está destinada a ficar em casa e arcar com todas as responsabilidades que a construção e manutenção de uma família acarretam… Embora tenha a percepção (e a esperança) de que esta situação já esteja a mudar com a minha geração, choca-me e perturba-me que se continue a viver com este estigma familiar que muito poucas pessoas ousam por em causa.
Os progressos são, obviamente, inegáveis e, hoje em dia, vemos, por exemplo, mais mulheres a ingressar no ensino superior, a competir profissionalmente, de igual para igual, com o sexo oposto e, nesse sentido, tudo parece bem encaminhado, até ao momento em que paramos para analisar os salários: uma senhora recebe, em média, menos 25% do que um homem, colocando-se nos 5% a diferença média relativa a duas pessoas que trabalhem na mesma empresa, no mesmo posto, com as mesmas funções… enfim, cuja única diferença é o sexo…
Agora, pergunto eu: alguém acha isto aceitável? Obviamente, alguém tem de achar, para que situações como estas se verifiquem. São exactamente essas pessoas que têm a obrigação de mudar de opinião, de operar uma lavagem de consciência que permita que a igualdade entre homens e mulheres se torne numa realidade efectiva, em vez daquela utópica que vai permanecendo idealizada na constituição.
Cabe a instituições como a União Europeia, o governo dos Estados Unidos ou a ONU influenciar e patrulhar os países menos desenvolvidos, para que neles os direitos humanos sejam respeitados. A nós, cabe-nos, tentar corrigir a situação no nosso meio social envolvente, agindo activamente no dia-a-dia, porque todos são dias para lutar em nome de uma humanidade não discriminatória.
sábado, março 10, 2007
A Mulher e o(s) seu(s) Dia(s), D.
Desde a sua vida pessoal, passando pelo seu trabalho e acabando no meio em que se insere a retrospectiva é feita, analisada, e transportada para o futuro, numa tentativa de adivinhação do que virá. Muitos protestos saíram vitoriosos, mas há outros que rebolam de ano para ano.
Esperamos que a Mulher já não seja obrigada a ficar em casa porque tem em sua posse a escolha de ficar ou não em casa; que às Segundas, Quartas e Sextas seja a sua vez de lavar a loiça, mas que às Terças, Quintas e Sábados seja a dele de passar a ferro; que não sirva apenas para procriação porque pode optar por ser ou não mãe; que não se fique apenas pela 4ª classe porque deve passar o 12º, entrar pela universidade e sair de lá com um doutoramento; que não seja limitada em termos de ambição no trabalho porque tem tantas hipóteses de chegar a gerente como o João ou o Manuel e ganhar tanto como eles se estivessem no cargo: que seja dona da sua sexualidade e livre de eleger casar com o Tiago ou com a Diana e tanto com um como com o outro possuir condições para criar uma criança; que seja católica ou budista. Que o machismo retrógrado e degradante já seja uma coisa de ontem.
A verdade é que cada vez mais são impressas notícias nos media sobre Mulheres que foram eleitas para um cargo superior ao esperado (por alguns). Os mais mediáticos passam sem dúvida por Angela Merkel, hoje em dia à frente do governo alemão, Drew Gilpin Faust que se irá tornar a primeira Mulher presidente numa universidade, e quem sabe, futuramente, também a democrata Hillary Rodham Clinton que dispensa apresentações.
Ainda não sei se concordo ou não com este dia, mas a verdade é que serve exemplarmente para tocar umas campainhas na cabeça de muitos. E espero que bem alto e com bom efeito. *
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Segundos de mudança
No dia anterior ao referendo vimos o Benfica ser eliminado da Taça de Portugal. Entretanto ficámos a saber que os habitantes do Faial vão receber os primeiros Cartões do Cidadão e que, por exemplo, os radares detectaram, em Lisboa, desde Dezembro, cento e trinta mil infracções de trânsito, com o recorde de velocidade máxima a colocar-se nos 223km/h…
Tudo noticias “normais”, esperadas, talvez ache 223km/h muito pouco, (é uma velocidade perfeitamente segura para condução citadina!) mas, de facto, são novidades que se enquadram no quotidiano português.
A minha pergunta é:
Será que elas interessam? Mais. Será que o dia-a-dia que vamos levando tem profundo e verdadeiro interesse?
Hoje foi dia de sismo em Portugal continental, o mais forte das últimas décadas. Não provocou estragos, não feriu ninguém, terá, quanto muito, assustado algumas pessoas. Faz-nos, contudo, pensar que aqueles quatro, cinco segundos podem, a qualquer momento, vir a ser bem diferentes, alterando por completo as nossas vidas, que passámos anos a construir. Com uma manifestação natural sem aviso, o nosso “mundo” pode desaparecer tal como o conhecemos e, de repente… nada terá a mesma importância.
Claro que não sou pioneiro na reflexão sobre este assunto, mas quero, isso sim, dar a minha resposta:
Apesar de a ciência e a tecnologia poderem parecer muito desenvolvidas, na realidade isso trata-se apenas de pura ilusão, fruto de uma perspectiva inerente à efemeridade da vida humana. Posto isto, não está ao nosso alcance a possibilidade de controlar, tão pouco, as perigosas reacções do nosso planeta, quanto mais as do desconhecido universo e, portanto, sim, é verdade que, de um segundo para o outro, tudo pode mudar, mas é igualmente afirmativa a resposta relativa à importância do nosso dia-a-dia. Este importa porque é nosso e nos define neste momento, importa porque podemo-lo delinear nós próprios… Apenas há é que o fazer mantendo a consciência de que não existe necessariamente uma ordem “natural” das coisas.
domingo, fevereiro 11, 2007
As cruzes ficaram todas no boletim do EuroMilhoes
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Aborto, o referendo e o direito que não gostamos de exercer
Está a chegar o dia. No próximo Domingo estão abertas as urnas, nove anos depois da primeira tentativa, a pergunta mantém-se e está na hora de ser, de uma vez por todas, dada uma resposta.
Esclarecendo a minha posição, começo por relembrar um ponto de vista acerca da despenalização da interrupção voluntária da gravidez que subscrevo inteiramente.
Na campanha para este referendo têm-se, de parte a parte, como é costume na discussão deste assunto, utilizado argumentos que chegam a tocar no ridículo, vindos, até, de alguns cidadãos com responsabilidade social acima da média. Não vou, no entanto, dar mais importância a essa situação. Prefiro, isso sim, focar-me no debate verdadeiramente importante, provido de genuína relevância e bom senso que sempre deve imperar.
Para mim, o argumento mais válido do “Não” é o “pormenor” de estarmos não a responder à pergunta que nos é colocada, mas sim a aprovar as alterações à lei propostas pelo Partido Socialista que se destinam a liberalizar o aborto e não à simples despenalização mencionada na pergunta. (E sim, é mesmo simples, tão simples que não tenho dúvidas de que já devia ter sido aprovada no Parlamento, há muito, muito tempo, sem recorrer ao sufrágio directo.)
Agora pergunto eu, será mau liberalizar o aborto?
in Priberam.pt:
liberal
do Lat. liberale
adj. 2 gén.,
próprio de homem livre.
Neste caso, da Mulher, que tem de ter a liberdade de escolher e o direito de ter condições para o fazer. Os abortos clandestinos não vão desaparecer, é certo, até porque grande parte destes são feitos após as dez semanas (um prazo que se torna muito importante em toda esta questão e que por vezes é esquecido, que nunca mudaria a minha resposta se fosse alargado até às 20) mas certamente que irá diminuir. Não temo a liberalização do aborto pois torna-se claro que ninguém vai interromper voluntariamente uma gravidez de ânimo leve. É uma decisão muito difícil e nunca deixará de o ser. À sociedade só resta dar condições para que quem a tome possa ser acompanhada física e psicologicamente.
Por isto, ou simplesmente porque não se acha que uma mulher deve ser perseguida judicialmente pela prática de um aborto há que votar “Sim” no referendo de Domingo.
Tradicionalmente estas formas de consulta à população portuguesa não têm dado respostas efectivas. Lembro que no referendo de
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Nacionalidade: Europeia
A poucos dias do reconhecimento oficial da Roménia e da Bulgária como membros, a União Europeia continua numa espécie de limbo não assumido, resultante da não aprovação por parte dos cidadãos franceses e holandeses à ratificação do Tratado Constitucional Europeu... É certo que bastava um “não”, mas este veio logo de dois dos países fundadores.
A posição oficial que transparece dos líderes de cada país é a de que nada se passou: tentar não falar muito do assunto para não ferir susceptibilidades nem comprometer relações, criando um ambiente de impasse abafado no qual não me sinto muito confortável, temendo que o futuro da Europa esteja, mais do que nunca, indefinido.
Indefinido mas não condenado, disso estou certo, pois muitas outras contrariedades emergiram desde os tempos da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (para os mais novos, a CECA das aulas de História, se bem se lembram) e, cinquenta e cinco anos depois, a realidade fala por si: mercado comum com moeda (parcialmente) única, políticas comuns ao nível da agricultura e das pescas, bem como a incorporação do Acordo de Schengen na União, mudaram, efectivamente e para melhor, a vida dos cidadãos de cada estado-membro. E o cerne do problema que vai atrasando a consolidação europeia está aí, na definição de cidadão da União Europeia como habitante de um dos seus estados constituintes.
Cada pessoa, dentro da sua nacionalidade, vai ouvindo expressões como “Banco Central Europeu”, “Tribunal Europeu de Justiça”, “Conselho da União Europeia”, “Parlamento Europeu”, “Comissão Europeia”, “Constituição Europeia” ou “Estratégia de Lisboa” que em conjunto formam uma Europa de que a maioria só tem conhecimento vago, ignorando as responsabilidades concretas de cada uma das instituições ou o significado dos acordos que foram sendo assinados ao longo dos tempos. Por exemplo, no nosso caso, até admito que um qualquer português reconheça José Manuel (Durão) Barroso como presidente de qualquer coisa “lá da Europa”… mas isso não basta!
Há já vários anos, mas especialmente agora, depois desta fase de alargamento abrupto, em que a União passou, em três anos, de 15 para 27 estados-membros, que se torna óbvia a necessidade de uma constituição que, encerrando todos os tratados europeus já em vigor, delineie novos caminhos a seguir que possam simplificar os processos de decisão.
Ora, se não conseguimos consciencializar os europeus desta urgência, não faz muito sentido continuar como nada se passasse. É imperativo aproximar a população das instituições europeias e as eleições directas não são a única alternativa. Os governos estão sempre relutantes em reconhecer que uma parte considerável da soberania da respectiva nação não está já nas suas mãos, o que em nada contribui para esta urgente mudança.
Torna-se, portanto, evidente, que é preciso dar mais crédito às acções realizadas pela UE, muito para além da iDeia de que se tratam apenas de alguns senhores engravatados lá por Bruxelas, a impor restrições, a apontar para o que vai mal em cada país e, vá, de vez em quando, mandar algum dinheiro.
Ainda mais importante que isso, há que criar o sentimento de união entre as pessoas, há que ter alemães a pensar em búlgaros como compatriotas, de igual para igual. Eu, pessoalmente, sinto-me, e sempre me senti, europeu, tanto ou mais do que português, e escrevo isto na tentativa de, de alguma forma, alertar e ajudar a construir a tal «União entre as pessoas e não uma cooperação entre estados».
Penso que não haverá um único português que não consiga reconhecer as vantagens de pertencer à União Europeia... O mesmo já não posso dizer dos franceses ou ingleses... Esta é uma forma simples de verificar que existe mesmo uma Europa a duas velocidades (e tão devagar que Portugal tem andado ultimamente…) mas, sendo essa uma realidade efectiva, não quer dizer que com a consolidação de políticas comuns e de bons desempenhos governamentais se possa chegar, em poucas décadas, a um bloco sólido que continue a caminhar para o sonho de Jean Monnet: uma verdadeira federação europeia.
domingo, novembro 26, 2006
Natal, B.
Porque será, então, que esta influência se verifica? Sinceramente, não tenho resposta. Posso dizer que, claramente, não é por motivos religiosos. A velhinha “história” do nascimento de Jesus Cristo vai-se perdendo, ao longo do tempo, tornando-se, de uma forma geral, como que um mero acessório, tradicional nesta quadra festiva já adoptada por pessoas de outras comunidades religiosas não cristãs.
É um pouco esta a essência do Natal de hoje em dia: pessoas mais próximas, um ambiente especial. A artificialidade até pode ser discutível mas o que me apetece dizer é: eu gosto!
