sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Best Motion Picture of the Year (Oscars, D.)

A grande noite do cinema, há quem diga, vem aí. Com ela muitos são aqueles que vão festejar ou derramar lágrimas até de madrugada. Veremos.

Babel tem sido dos mais premiados ultimamente e talvez dia 25 continue nessa onda. Gostava que sim. Uma vez que cortaram o Clint ao meio é no Babel que voto. Sou fã de filmes puzzle, e além da excelente história, realização, som e montagem temos interpretações realmente boas, desde Adriana Barraza (que bem merece melhor actriz secundária) até ao Brad Pitt.

Quanto ao filme do Sr. Eastwood devia de ser de 6 horas (para podermos juntar as duas partes), e assim eu dava-lhe as estatuetas todas e a academia podia fazer o mesmo. Estamos perante uma Grande Obra, não só de um filme, e não gosto de ver apenas As Cartas como nomeado. E por isso não falo mais dele!

Uma das perguntas mais frequentes este ano é saber se, finalmente, Martin Scorsese vai ter o seu ano de glória. Já há muito que lhe escapa o galardão, e do trabalho que já vi dele, o Departed está nos meus preferidos. Acção rápida, mortal e ironia q.b., mesmo ao seu estilo fazem uma mistura muito apetecível. Jack Nicholson é um Senhor do cinema, é pena faltar-lhe a nomeação que deram ao fugitivo do planeta dos macacos Mark Wallberg! Nessa mesma categoria gostava que ganhasse Jackie Earle Haley pelo papel perturbante e poderoso que desempenha em Little Children, mas talvez lhe fuja também para Alan Arkin em Little Miss Sunshine, filme que desde já me abstenho de comentar uma vez que não o vi e também não tenho vontade para tal!

Para finalizar, The Queen passou a perna ao Blood Diamond (que filme tão bom se tirarmos as pinceladas/lágrimas hollywoodescas) e ao DreamGirls e obteve uma mão cheia de nomeações. Muito provável como melhor actriz (deixa lá Kate, fica para a próxima!) pouco provável como melhor filme.

And the Oscar goes to… *

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Segundos de mudança

Finalmente Portugal deu uma resposta positiva à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, não obstante esta ter sido pouco convincente, tendo em conta, mais uma vez, a incompreensível abstenção, sendo até registados mais votos no “Não” do que há oito anos… Mesmo assim, agora falta legislar e regulamentar esta situação o mais rapidamente possível, o que acredito que irá acontecer.

No dia anterior ao referendo vimos o Benfica ser eliminado da Taça de Portugal. Entretanto ficámos a saber que os habitantes do Faial vão receber os primeiros Cartões do Cidadão e que, por exemplo, os radares detectaram, em Lisboa, desde Dezembro, cento e trinta mil infracções de trânsito, com o recorde de velocidade máxima a colocar-se nos 223km/h…

Tudo noticias “normais”, esperadas, talvez ache 223km/h muito pouco, (é uma velocidade perfeitamente segura para condução citadina!) mas, de facto, são novidades que se enquadram no quotidiano português.

A minha pergunta é:
Será que elas interessam? Mais. Será que o dia-a-dia que vamos levando tem profundo e verdadeiro interesse?

Hoje foi dia de sismo em Portugal continental, o mais forte das últimas décadas. Não provocou estragos, não feriu ninguém, terá, quanto muito, assustado algumas pessoas. Faz-nos, contudo, pensar que aqueles quatro, cinco segundos podem, a qualquer momento, vir a ser bem diferentes, alterando por completo as nossas vidas, que passámos anos a construir. Com uma manifestação natural sem aviso, o nosso “mundo” pode desaparecer tal como o conhecemos e, de repente… nada terá a mesma importância.

Claro que não sou pioneiro na reflexão sobre este assunto, mas quero, isso sim, dar a minha resposta:

Apesar de a ciência e a tecnologia poderem parecer muito desenvolvidas, na realidade isso trata-se apenas de pura ilusão, fruto de uma perspectiva inerente à efemeridade da vida humana. Posto isto, não está ao nosso alcance a possibilidade de controlar, tão pouco, as perigosas reacções do nosso planeta, quanto mais as do desconhecido universo e, portanto, sim, é verdade que, de um segundo para o outro, tudo pode mudar, mas é igualmente afirmativa a resposta relativa à importância do nosso dia-a-dia. Este importa porque é nosso e nos define neste momento, importa porque podemo-lo delinear nós próprios… Apenas há é que o fazer mantendo a consciência de que não existe necessariamente uma ordem “natural” das coisas.

domingo, fevereiro 11, 2007

As cruzes ficaram todas no boletim do EuroMilhoes

Deve custar muito levantar o rabo do sofá e ir lá votar...
Ah... o tempo e tal... *

A Hora H? Talvez na próxima semana.

Para já falo sem ter dados sobre as audiências de ontem, mas duvido muito da escolha de marcar a estreia do programa, fora do seu horário habitual, a um Sábado, ainda para mais noite de Benfica e contra um forte “Aqui há talento”. De qualquer forma, ainda que com muita margem para melhorar, após quatro ou cinco anos de talk-show moribundo, em decadência semanal, apraz-me anunciar que… o Herman está de volta!

Com ele regressam os talentosos actores do costume: Ana Bola, Maria Rueff, Maria Vieira, Manuel Marques e, a nova “aquisição”, César Mourão, que não me deixou uma muito boa primeira impressão, parecendo um pouco deslocado e distante dos demais colegas, situação que se aceita para uma primeira vez… Certamente que melhorará! Mesmo assim, creio que está reunida uma boa equipa para dar vida aos textos da autoria do espectacular grupo de argumentistas, (creio e espero eu) liderado por Herman José e que conta com nomes que facilmente associo a concretos projectos de humor da maior qualidade, como Nuno Artur Silva, Nuno Markl, José de Pina e Filipe Homem Fonseca, a que se juntam os, certamente por falha minha, desconhecidos, Francisco Palma, António Marques, Vítor Elias e Maria João Cruz.

Analisando o episódio piloto, parece-me que o potencial que evidenciei acima não foi aproveitado de forma satisfatória. O que me vem à memória de imediato é o texto do Realizador Fitipaldi que Herman José interpretou de uma forma que o tornou demasiado difícil de entender, deitando fora todo o impacto que aquele sketch podia ter. Por outro lado, gostei do Editor-Chefe do CNN, esse sim, de diálogo propositadamente imperceptível que resultou muito bem.

As instalações do Canal de Notícias Nacional fizeram-me lembrar “The Office”, bem como a edição e realização, bem ao estilo de uma sitcom britânica, entrelaçando os diversos sketches com a acção principal. Uma palavra para Américo Russo e as suas aventuras com protecção (?) que, apesar de um texto muito previsível se destacou dos restantes momentos, juntamente com a Chica Pardoca e o seu aborto de estimação, para mim, o ponto alto do programa.

De uma perspectiva global, o conceito é bom, mas vimos um episódio muito pouco polido, a espaços (largos) capaz de fazer rir, mas aquém das expectativas bastante elevadas que eu tinha, sempre com a “Enciclopédia” na memória. Na próxima semana estará contra o “Diz que é uma espécie de magazine”… Lá terei que gravar o Hora H. (E daí, espero para ver como se portam hoje, nesta noite de referendo, os Gato Fedorento que têm exibido desde os últimos programas de 2006 uma inconstante linha qualitativa, com pouco mais de uma mão cheia de sketches de enorme qualidade, rodeados de outros muito fracos, juntamente com frequentes introduções em estúdio falhadas.)

A verdade é que o Gato se vai embora no próximo mês de Março, sendo substituído pela versão portuguesa de uma série britânica “My Family” (Fazendo futurologia, uma má aposta da RTP.), deixando assim, o caminho livre para que Herman José e Companhia consigam triunfar nas audiências, caso o programa se modifique e aperfeiçoe, aproveitando as críticas, para passar a usufruir em pleno de todo o potencial humano disponível naquela equipa. A nós, fãs da comédia e da boa televisão, resta-nos, portanto, averiguar a evolução desta Hora H, ao longo das próximas semanas.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Aborto, o referendo e o direito que não gostamos de exercer

Está a chegar o dia. No próximo Domingo estão abertas as urnas, nove anos depois da primeira tentativa, a pergunta mantém-se e está na hora de ser, de uma vez por todas, dada uma resposta.

Esclarecendo a minha posição, começo por relembrar um ponto de vista acerca da despenalização da interrupção voluntária da gravidez que subscrevo inteiramente.

Na campanha para este referendo têm-se, de parte a parte, como é costume na discussão deste assunto, utilizado argumentos que chegam a tocar no ridículo, vindos, até, de alguns cidadãos com responsabilidade social acima da média. Não vou, no entanto, dar mais importância a essa situação. Prefiro, isso sim, focar-me no debate verdadeiramente importante, provido de genuína relevância e bom senso que sempre deve imperar.

Para mim, o argumento mais válido do “Não” é o “pormenor” de estarmos não a responder à pergunta que nos é colocada, mas sim a aprovar as alterações à lei propostas pelo Partido Socialista que se destinam a liberalizar o aborto e não à simples despenalização mencionada na pergunta. (E sim, é mesmo simples, tão simples que não tenho dúvidas de que já devia ter sido aprovada no Parlamento, há muito, muito tempo, sem recorrer ao sufrágio directo.)

Agora pergunto eu, será mau liberalizar o aborto?

in Priberam.pt:

liberal
do Lat. liberale
adj. 2 gén.,
próprio de homem livre.

Neste caso, da Mulher, que tem de ter a liberdade de escolher e o direito de ter condições para o fazer. Os abortos clandestinos não vão desaparecer, é certo, até porque grande parte destes são feitos após as dez semanas (um prazo que se torna muito importante em toda esta questão e que por vezes é esquecido, que nunca mudaria a minha resposta se fosse alargado até às 20) mas certamente que irá diminuir. Não temo a liberalização do aborto pois torna-se claro que ninguém vai interromper voluntariamente uma gravidez de ânimo leve. É uma decisão muito difícil e nunca deixará de o ser. À sociedade só resta dar condições para que quem a tome possa ser acompanhada física e psicologicamente.

Por isto, ou simplesmente porque não se acha que uma mulher deve ser perseguida judicialmente pela prática de um aborto há que votar “Sim” no referendo de Domingo.

Tradicionalmente estas formas de consulta à população portuguesa não têm dado respostas efectivas. Lembro que no referendo de 1998 a abstenção rondou os 68%. No mesmo ano, quando questionados sobre a regionalização, a maioria dos portugueses voltou a ficar em casa. Por cá, temo-lo há relativamente pouco tempo, é certo, mas votar é um direito que nos assiste. Porquê não usufruir dele? Por favor, votem!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Nacionalidade: Europeia

A poucos dias do reconhecimento oficial da Roménia e da Bulgária como membros, a União Europeia continua numa espécie de limbo não assumido, resultante da não aprovação por parte dos cidadãos franceses e holandeses à ratificação do Tratado Constitucional Europeu... É certo que bastava um “não”, mas este veio logo de dois dos países fundadores.

A posição oficial que transparece dos líderes de cada país é a de que nada se passou: tentar não falar muito do assunto para não ferir susceptibilidades nem comprometer relações, criando um ambiente de impasse abafado no qual não me sinto muito confortável, temendo que o futuro da Europa esteja, mais do que nunca, indefinido.

Indefinido mas não condenado, disso estou certo, pois muitas outras contrariedades emergiram desde os tempos da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (para os mais novos, a CECA das aulas de História, se bem se lembram) e, cinquenta e cinco anos depois, a realidade fala por si: mercado comum com moeda (parcialmente) única, políticas comuns ao nível da agricultura e das pescas, bem como a incorporação do Acordo de Schengen na União, mudaram, efectivamente e para melhor, a vida dos cidadãos de cada estado-membro. E o cerne do problema que vai atrasando a consolidação europeia está aí, na definição de cidadão da União Europeia como habitante de um dos seus estados constituintes.

Cada pessoa, dentro da sua nacionalidade, vai ouvindo expressões como “Banco Central Europeu”, “Tribunal Europeu de Justiça”, “Conselho da União Europeia”, “Parlamento Europeu”, “Comissão Europeia”, “Constituição Europeia” ou “Estratégia de Lisboa” que em conjunto formam uma Europa de que a maioria só tem conhecimento vago, ignorando as responsabilidades concretas de cada uma das instituições ou o significado dos acordos que foram sendo assinados ao longo dos tempos. Por exemplo, no nosso caso, até admito que um qualquer português reconheça José Manuel (Durão) Barroso como presidente de qualquer coisa “lá da Europa”… mas isso não basta!

Há já vários anos, mas especialmente agora, depois desta fase de alargamento abrupto, em que a União passou, em três anos, de 15 para 27 estados-membros, que se torna óbvia a necessidade de uma constituição que, encerrando todos os tratados europeus já em vigor, delineie novos caminhos a seguir que possam simplificar os processos de decisão.

Ora, se não conseguimos consciencializar os europeus desta urgência, não faz muito sentido continuar como nada se passasse. É imperativo aproximar a população das instituições europeias e as eleições directas não são a única alternativa. Os governos estão sempre relutantes em reconhecer que uma parte considerável da soberania da respectiva nação não está já nas suas mãos, o que em nada contribui para esta urgente mudança.

Torna-se, portanto, evidente, que é preciso dar mais crédito às acções realizadas pela UE, muito para além da iDeia de que se tratam apenas de alguns senhores engravatados lá por Bruxelas, a impor restrições, a apontar para o que vai mal em cada país e, vá, de vez em quando, mandar algum dinheiro.

Ainda mais importante que isso, há que criar o sentimento de união entre as pessoas, há que ter alemães a pensar em búlgaros como compatriotas, de igual para igual. Eu, pessoalmente, sinto-me, e sempre me senti, europeu, tanto ou mais do que português, e escrevo isto na tentativa de, de alguma forma, alertar e ajudar a construir a tal «União entre as pessoas e não uma cooperação entre estados».

Penso que não haverá um único português que não consiga reconhecer as vantagens de pertencer à União Europeia... O mesmo já não posso dizer dos franceses ou ingleses... Esta é uma forma simples de verificar que existe mesmo uma Europa a duas velocidades (e tão devagar que Portugal tem andado ultimamente…) mas, sendo essa uma realidade efectiva, não quer dizer que com a consolidação de políticas comuns e de bons desempenhos governamentais se possa chegar, em poucas décadas, a um bloco sólido que continue a caminhar para o sonho de Jean Monnet: uma verdadeira federação europeia.

domingo, novembro 26, 2006

Natal, B.

Falta menos de um mês. Famílias reúnem-se, provavelmente pela única vez em todo o ano… Horas aborrecidas para uns, ansiadas por outros, mas é inegável que ninguém fica indiferente ao espírito natalício.

Durante as próximas semanas o consumo vai disparar, é certo, mas, contrabalançando, muitas iniciativas de solidariedade social terão significativamente mais sucesso, por exemplo. Analisando bem, esta é a altura em que mais palavras trocamos com desconhecidos: para além do normal “obrigado” seguem-se sempre mais umas “boas festas” ou um “feliz Natal”, sinal de que, creio eu, para além de sermos bem-educados, o Natal mexe efectivamente com cada um de nós.

Porque será, então, que esta influência se verifica? Sinceramente, não tenho resposta. Posso dizer que, claramente, não é por motivos religiosos. A velhinha “história” do nascimento de Jesus Cristo vai-se perdendo, ao longo do tempo, tornando-se, de uma forma geral, como que um mero acessório, tradicional nesta quadra festiva já adoptada por pessoas de outras comunidades religiosas não cristãs.

Permanece comigo a dúvida relativamente ao motivo, mas é evidente que, por estas alturas, as pessoas se revelam mais sensíveis ao estabelecimento das relações humanas, das mais simples e meramente cordiais, até às mais profundas, com o aperto dos seus laços estruturantes.

Falta menos de um mês e, como era de esperar, já começou a correria. Mesmo assim, nem tudo é mau nesta época, até porque já temos a nossa Árvore de Natal Millenium BCP/SIC a iluminar o Terreiro do Paço, liderando todas as outras iluminações festivas características, espalhadas por quase todas as cidades, vilas e casas do nosso país.

É um pouco esta a essência do Natal de hoje em dia: pessoas mais próximas, um ambiente especial. A artificialidade até pode ser discutível mas o que me apetece dizer é: eu gosto!